
Guilherme Costa
Resistência e Identidade Prestes a completar seu primeiro aniversário no dia 31 de janeiro, a Casa da Mãe Tiana consolidou-se como um importante polo de revitalização do centro histórico de Guaratinguetá. Fundada pelo casal Tiago e Ana Carvalho, a casa nasceu do desejo de resgatar o “samba raiz” em uma cidade que já foi considerada a “Atenas do Vale”, mas que viu sua força cultural enfraquecer nas últimas décadas. Para celebrar a data, o espaço receberá o grupo nacional Cem Por Cento em uma grande roda de samba. A trajetória, porém, não foi isenta de desafios. Durante a entrevista, Tiago Carvalho desabafou sobre a resistência enfrentada por parte de setores da elite local. Segundo ele, a casa sofre com o racismo estrutural, manifestado por vizinhos que tentam minar o projeto nos bastidores por associarem o samba a “esse tipo de gente”.
“A gente está lutando contra o racismo. Algumas pessoas se incomodam muito quando observam que pessoas negras estão felizes. Ouvimos que ‘esse negócio de pagode, esse tipo de gente, não vamos permitir aqui’”, relatou Tiago. Recentemente empossado como conselheiro municipal de cultura, Tiago agora planeja expandir essa vivência para além do centro. Ele defende a descentralização cultural e o fomento ao turismo, destacando que a Casa da Mãe Tiana gera hoje 17 empregos diretos e promove um intercâmbio entre artistas locais e de outros estados. A Casa da Mãe Tiana prova que o samba em Guaratinguetá vai além do entretenimento: é uma ferramenta de ocupação urbana e educação histórica. Ao resistir ao preconceito e valorizar a ancestralidade, o espaço reafirma a identidade da “cidade do samba” e projeta um futuro onde a cultura seja, de fato, um direito acessível a todos os bairros.
Reveja a entrevista: