Por Guilherme Costa

Em entrevista ao quadro Ponto de Vista, o Secretário de Assistência Social de Guaratinguetá, Ricardo Teberga, detalhou a transição da pasta do antigo modelo de “promoção social” para uma política estruturada de proteção social. A mudança foca em serviços tipificados e no fortalecimento de vínculos, distanciando-se do assistencialismo pontual do passado. Teberga destacou que, diante de um congelamento de 14 anos nos repasses federais, o município assumiu o protagonismo financeiro, arcando com 65% dos investimentos da área. Um exemplo prático foi o reajuste no repasse per capita para idosos em casas de acolhimento, que saltou de R$ 325 para R$ 1.200 por parte da prefeitura. O trabalho é dividido em níveis de complexidade, contando com parcerias fundamentais:
Básica: Fortalecimento de vínculos com instituições como a Obra Auxiliar Santa Cruz.
Média: Atendimento especializado, como o realizado pela APAE e pelo ILA.
Alta: Acolhimento em regime de internação, como na Casa Laura Vicunha e Fazenda Esperança.
O secretário identificou os quatro maiores desafios enfrentados pela gestão atual:
Abandono de Idosos: Apontado como a principal demanda, agravada pelo alto custo de manutenção e falta de rede de apoio familiar.
Violência contra a mulher: presente em todas as classes sociais; o município hoje oferece o aluguel social para 24 mulheres vítimas de violência.
Violência contra crianças: casos que incluem desde abusos psicológicos até ameaças de morte pelo tráfico. População em Situação de Rua: questão de alta visibilidade, onde 80% dos casos têm origem na quebra de vínculos familiares. “O município tem que entender que ele vai acabar assumindo cada vez mais todo esse trabalho da assistência social.” — Ricardo Teberga sobre a redução de repasses federais.
“O custo de um idoso é pesado, [o reajuste] foi para a gente poder assegurar esse valor e dar fôlego às entidades.” — Ricardo Teberga sobre o aumento de verbas para asilos. A gestão da assistência social em Guaratinguetá busca equilibrar a responsabilidade fiscal com a sensibilidade humana. Ao priorizar o orçamento municipal para suprir lacunas externas, a secretaria tenta garantir que os públicos mais vulneráveis — idosos, mulheres e crianças — não fiquem desamparados diante das crises sociais contemporâneas.
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