Por Guilherme Costa

Maricy Cavalca, especialista em Saúde Pública e uma das sete representantes municipais do Brasil na 76ª sessão da Comissão das Nações Unidas sobre a Situação da Mulher, concedeu entrevista direto de Nova York. O encontro global debate o Estado de Direito, a violência de gênero e o impacto das tecnologias no acesso à justiça. Durante a conversa, Maricy enfatizou a necessidade de ir além da punição, focando na reabilitação e na prevenção:
Sobre o trabalho com agressores: “Se não existir algo que faça com que ele reflita primeiro sobre as atitudes dele […] ele volta e vai agredir outra mulher”.
A eficácia das leis brasileiras: “O Brasil tem leis muito boas, que, se executadas, funcionam, mas a gente trabalha contra a corrente; está na hora da gente trabalhar […] de uma forma preventiva”.
Desigualdade tecnológica: ao citar o contraste entre países, Maricy relatou a fala de uma representante de Serra Leoa: “Vocês estão falando de um mundo que não pertence à minha mulher […] em que a mulher não consegue tirar nenhum cartão de crédito, quanto mais ter acesso à internet”.
Esperança nas novas gerações: “Estou vendo uma geração de mulheres jovens realmente conscientes […] elas trazem aquelas perguntas que as autoridades muitas vezes não querem fazer”.
O evento reforça que, embora o Brasil seja referência com a Lei Maria da Penha, o grande desafio atual é a implementação de políticas públicas preventivas e o combate à misoginia digital. Maricy Cavalca segue na ONU até o dia 19 de março, data em que participará de um painel a convite do governo da Nigéria para compartilhar experiências sobre o tema.
Reveja o conteúdo: