Por Guilherme Costa

A conscientização sobre o ciclo de violência contra a mulher foi o tema central do quadro Ponto de Vista desta sexta-feira (13). Segundo a psicóloga Janaína Colombo, a sociedade é permeada por microviolências que moldam comportamentos desde a infância. No ambiente doméstico, essas agressões se manifestam por meio do controle da imagem, da roupa e do comportamento da parceira, o que gera um estado de ansiedade constante e a perda da personalidade da mulher.
Colombo diferencia um desentendimento saudável de um ato de violência: enquanto o primeiro pressupõe maturidade e troca de ideias, o segundo é marcado pela explosão, acusações e falta de diálogo. Para romper esse ciclo, ela aponta a terapia individual como um caminho essencial, especialmente quando não há adesão do parceiro para uma terapia de casal. “O controle disfarçado de cuidado é aquele: ‘eu prezo tanto pela sua imagem, você vai com essa roupa?’. Isso vai tirando a personalidade da pessoa.” “Quanto mais isolada essa mulher estiver e quanto mais preocupada em agradar, mais sob o controle ela estará.” “A dependência emocional equivale a uma mudança química por uso de substância. O mais importante ao sair de uma relação abusiva é saber como não voltar.”
O debate reforçou que a saída de relacionamentos abusivos é dificultada pelo isolamento social imposto pelo agressor e pela “normalização” cultural da violência. A solução passa pela educação, pelo fortalecimento das redes de apoio — o “curar-se em bando” — e pelo enfrentamento da rivalidade feminina, que é utilizada como instrumento de controle.
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