Por Guilherme Costa

Em uma era dominada pela inteligência artificial e pelo distanciamento do mundo natural, o movimento de retorno às origens ganha força. No quadro Ponto de Vista desta quinta-feira (26), o terapeuta xamânico e psicólogo em formação, Don Roternan, discutiu como a filosofia do “bem viver” e a espiritualidade ligada à terra podem ser chaves para a cura contemporânea.
Don Roternan, que também é cinegrafista e membro do Conselho de Cultura, utiliza sua trajetória multifacetada — que une psicanálise, estoicismo e vivências com povos originários da Amazônia — para promover o que chama de reintegração. Diferente do termo “reconexão”, ele defende que não podemos nos conectar a algo do qual já fazemos parte; somos, em essência, a própria natureza.
Sua prática foca no tripé dos povos originários: ancestralidade, alimentação e espiritualidade, buscando resgatar a autonomia do corpo e a sensibilidade perdida para o progresso industrial.
Durante a entrevista, Don destacou a importância de enxergar o sagrado fora dos templos convencionais: “Encontro muito mais Deus em uma floresta do que em um templo, viver a espiritualidade é criar relações. É como eu me compreendo como água, como fogo, como aquela planta.”
Sobre o impacto da modernidade na cognição humana, ele alertou: “O quanto que o ser humano está perdendo sua capacidade cognitiva, desenvolvimento intelectual, está muito prático. Encontrei no xamanismo a máxima de viver a espiritualidade independente do segmento que você acredita.”
Ao explicar o papel do xamã, ele o definiu como uma ponte: “O xamã é aquele que consegue ir entre os mundos, transitar entre o espiritual e o agora para trazer cura, seja através das ervas ou da expansão da consciência.”
A jornada de Don Roternan, intensificada após enfrentar graves problemas de saúde, reforça a tese de que a biologia e a espiritualidade são indissociáveis. Para o terapeuta, entender que somos “pó de estrelas” e respeitar os ciclos naturais não são apenas um resgate cultural, mas uma necessidade de sobrevivência para uma sociedade que, ao se colocar no topo da pirâmide, acabou por se desconectar de sua própria base vital.
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