
Guilherme Costa
O sistema Braile, que completou 200 anos recentemente, continua sendo o pilar fundamental para a alfabetização e autonomia de pessoas com deficiência visual. Em entrevista no quadro “Ponto de Vista”, a professora brailista e analista de sistemas Luciane Molina discutiu a relevância do método e como a tecnologia deve atuar como aliada, e não como substituta, no processo de inclusão. Embora tecnologias como leitores de tela e óculos inteligentes facilitem o cotidiano de adultos, Luciane enfatiza que o Braile é insubstituível para crianças. Segundo a especialista, o contato tátil é a única forma de garantir a compreensão real da gramática, ortografia e estruturação textual. “A criança não se alfabetiza ouvindo uma palavra; ela só vai se alfabetizar tocando na palavra”, afirmou Molina.
A entrevistada também revisitou discussões sobre a aplicação de recursos públicos em acessibilidade. Ela criticou a aquisição de dispositivos de leitura defasados (modelos de 2017) por valores elevados — cerca de 17 mil reais — quando comparados a tecnologias atuais de inteligência artificial mais acessíveis. Luciane ressaltou que esses aparelhos foram entregues como uma tentativa de substituir o ensino do Braile, considerando um equívoco pedagógico. Luciane Molina é um exemplo de superação acadêmica e profissional. Alfabetizada em tinta devido à baixa visão na infância, ela aprendeu Braile em apenas quatro meses aos 13 anos. Hoje, além de sua atuação na educação, ela migrou para a área de Tecnologia da Informação (TI), formando-se em Análise e Desenvolvimento de Sistemas para trabalhar com acessibilidade digital e garantir que sites e aplicativos sejam interpretáveis por leitores de tela.
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