Por Guilherme Costa

Uma nova substância chamada polilaminina, desenvolvida por pesquisadores brasileiros da UFRJ sob a liderança da Dra. Tatiana Sampaio, tem ganhado destaque na comunidade científica internacional. A substância, sintetizada a partir da placenta, atua como uma espécie de “rede de condução” que auxilia na recuperação de conexões nervosas rompidas após traumas, como acidentes de trânsito, ou em doenças neurodegenerativas como a esclerose múltipla. Embora os estudos ainda estejam em fase de pré-print e ensaios clínicos iniciais, o interesse é crescente: a Anvisa já aprovou 38 pedidos de uso compassivo da substância, e houve investimento de cerca de R$ 100 milhões na pesquisa.
Em entrevista, a Dr.ᵃ Valeska Beatrice, médica fisiatra, detalhou o funcionamento e os desafios dessa inovação: “A polilaminina formaria uma rede que ajudaria a conduzir esses neurônios, essas células nervosas, para uma recuperação. É uma luz no fim do túnel, mas precisamos de estudos de segurança e grupos placebos para confirmar os resultados”. A doutora também alertou sobre a importância da reabilitação contínua, independentemente do uso de novos medicamentos: “Não adianta ter acesso a uma substância muito cara se não conseguir fazer o básico, a fisioterapia específica.
A ciência não é milagre; é uma cadeia complexa que envolve desde o investimento em tecnologia até o acesso a cadeiras de rodas e esporte adaptado”. A polilaminina representa um marco para a ciência brasileira, colocando o país na vanguarda da medicina regenerativa. Contudo, especialistas reforçam que o caminho para a recuperação total de pacientes com lesão medular ainda exige cautela, rigor científico e, sobretudo, políticas públicas que garantam o acesso à reabilitação multidisciplinar. O avanço da tecnologia deve caminhar lado a lado com a infraestrutura básica de saúde para que a “luz no fim do túnel” se torne uma realidade acessível a todos.
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