
Guilherme Costa
A histórica Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito deu início às celebrações de seu tricentenário com uma série de encontros que resgatam a memória e a identidade cultural da região. Em entrevista concedida ao Jornal da Manhã desta segunda-feira (5), o presidente da Associação Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito de Guaratinguetá, Fernando Guimarães, detalhou a simbologia por trás das vestimentas e a preparação para o grande jubileu em abril. A tradição do terno de linho branco, marca registrada dos cavaleiros, possui raízes profundas que remontam à fundação da capela de São Gonçalo em 1726 por tropeiros devotos. Inicialmente, os participantes usavam roupas simples de algodão, muitas vezes confeccionadas a partir de sacos de mantimentos. Com a abolição da escravidão em 1888 e a fusão com a Irmandade de São Benedito, o branco intensificou-se como um reflexo da cultura afro e um símbolo religioso de pureza e humildade.
Para Fernando Guimarães, a Cavalaria transcende o desfile; é um ato de devoção que exige preparo diário e respeito ao animal. “A cavalaria é um momento religioso, é uma procissão a cavalo. O animal tem que sentir prazer em estar participando. Temos que plantar bem essa semente para que esses frutos venham no futuro”. Fernando também relembrou o impacto emocional do evento na comunidade, citando idosos e enfermos que se emocionam ao ver a passagem dos andores. Ele destacou que o processo para tornar a Cavalaria um Patrimônio Histórico Cultural Nacional pelo IPHAN está em andamento, embasado por estudos detalhados sobre esses 300 anos de história. Vale lembrar que a paróquia do Puríssimo Coração de Maria realizará um tríduo em honra a São Gonçalo nos dias 8, 9 e 10 de janeiro. No dia 10, uma procissão sairá da Escola Mitidieri em direção à paróquia, marcando o dia litúrgico do santo patrono dos violeiros.
Reveja a entrevista: