Por Guilherme Costa

O mês de abril é marcado pela campanha Abril Azul, voltada à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data principal ocorre em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, instituído pela ONU em 2007 e oficializado no Brasil por lei em 2018. O objetivo central é promover conhecimento, combater o preconceito e garantir direitos às famílias e pessoas com TEA, cujo número de diagnósticos — inclusive em adultos — tem crescido significativamente devido ao avanço da ciência e do acesso à informação. Em entrevista à Rádio Frei Galvão, a psicóloga especialista Geise Mota destacou a importância da ciência ABA (Análise do Comportamento Aplicada) para o desenvolvimento da autonomia: “A evolução da ciência, o ABA, tem avançado muito. Com esse avanço, estamos conseguindo trabalhar para que os autistas tenham mais autonomia. Não é sobre robotizar, mas sobre adaptar a necessidade de cada criança em particular.”
Sobre o diagnóstico tardio e a descoberta do transtorno na fase adulta, ela relata: “Muitos adultos se descobrindo, ouvi de uma pessoa que foi um alívio, porque ela achava que era uma pessoa difícil. O diagnóstico tira aquele peso das costas.”
Geise também enfatizou o papel da rede de apoio e da empatia social: “O principal é o respeito pela individualidade. Precisamos aprender a ler cada paciente e compreender suas necessidades. Fora do consultório, a conscientização é necessária para evitar o ‘olhar torto’ e garantir a verdadeira inclusão.” Embora existam avanços, o cenário ainda enfrenta barreiras, como a escassez de profissionais especializados na rede pública e a falta de capacitação em ambientes escolares. O tratamento do autismo exige uma equipe multidisciplinar — envolvendo fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e educadores físicos — e, acima de tudo, o acolhimento das famílias, transformando o diagnóstico em um caminho de suporte e desenvolvimento, em vez de isolamento.
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