Por Guilherme Costa

O cenário econômico brasileiro apresenta um alerta preocupante para o bolso das famílias. Atualmente, o país acumula 327 milhões de débitos ativos, totalizando aproximadamente R$ 524 bilhões em dívidas, concentradas majoritariamente em bancos e cartões de crédito. Com os juros do rotativo atingindo a marca de 424,5% ao ano, especialistas apontam que a falta de educação financeira transforma o limite do cartão em uma armadilha para o orçamento doméstico. De acordo com Alberto Friggi, especialista em crédito estruturado, o grande problema reside na incompreensão sobre o pagamento mínimo das faturas. “O mínimo que você paga hoje, você está pagando em 14% ao mês”, explica Friggi, destacando que esse valor muitas vezes nem abate a dívida real, criando uma “bola de neve”.
Ele ressalta que o aumento da oferta de crédito por bancos digitais facilitou o endividamento:
“O consumidor está entendendo o limite do cartão como parte da sua renda; para ter equilíbrio, o cartão de crédito deve corresponder, no máximo, a 30% do que se ganha por mês”.
Para quem busca sair do vermelho, Friggi sugere caminhos práticos e alerta contra golpes de “limpeza de nome”. Entre as orientações principais estão:
Renegociação Direta: Os bancos são obrigados por lei a ouvir o cliente e realizar parcelamentos.
Regra dos 20%: reservar 20% do orçamento para quitar dívidas e manter os 80% restantes para despesas fixas.
Antecipação de Boletos: Pagar contas antes do vencimento ajuda a elevar o score de crédito em cerca de 30 dias.
Uso do Serasa Consumidor: A plataforma permite parcelar dívidas em até 120 vezes, muitas vezes com descontos de até 90%.
A saída da crise financeira passa, obrigatoriamente, pela mudança de comportamento. Friggi enfatiza que, embora existam linhas de crédito mais baratas para quitar dívidas — como o Home Equity (crédito com garantia imobiliária), o controle emocional é fundamental. Isso ocorre porque cerca de 29% das pessoas que limpam o nome voltam a se endividar por falta de planejamento.
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