
Guilherme Costa
Nesta quarta-feira, 21 de janeiro, celebramos a convergência de duas datas fundamentais para a liberdade de crença: o Dia Mundial da Religião e o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Em entrevista ao Jornal da Manhã, o Frei Gustavo Medella, Vigário Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, destacou a importância do diálogo inter-religioso como ferramenta de paz. O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído em 2007, tem uma origem marcada pela dor: a morte da Mãe Gilda de Oxum, na Bahia. Após sofrer ataques físicos e verbais por sua fé, a líder religiosa faleceu vítima de um infarto em 2000. Para os franciscanos, o tema é central neste ano jubilar, que celebra os 800 anos de São Francisco de Assis, pioneiro no diálogo com outras religiões ao encontrar-se desarmado com o Sultão islâmico em pleno período de Cruzadas.
Durante a entrevista, Frei Gustavo Medella reforçou que a religião deve ser um instrumento de união, nunca de violência: “Quando nós falamos de religião, nós falamos de um direito universal e fundamental do ser humano, sendo a liberdade da prática do culto, da fé, do cultivo da relação com o transcendente.” Sobre a tolerância: “Não achar que a minha fé é superior à do outro e me sentir no direito de menosprezá-lo, às vezes até agredir as verdades de fé, os ritos, o modo de se comportar.” Citação do Papa Francisco: “Não pode ser chamada religião a que justifica a eliminação e morte de outros seres humanos.” Como gesto concreto de resistência e união, um grupo de frades do Convento São Francisco participa hoje de um ato inter-religioso na Catedral da Sé, em São Paulo, onde será lançado um manifesto contra a intolerância. O movimento reforça o compromisso da ordem franciscana com a paz e o respeito ao próximo, independentemente de sua crença ou credo.
Reveja a entrevista: