Por Guilherme Costa

A preservação do patrimônio histórico em Guaratinguetá foi o tema central do quadro Ponto de Vista, nesta quarta-feira (25). A arquiteta Regina Maia, especialista em restauro e revitalização, compartilhou os bastidores da reconstrução da casa onde viveu Frei Galvão e os dilemas técnicos e financeiros para manter viva a identidade arquitetônica da cidade. Regina detalhou a complexidade de reconstruir a casa de Frei Galvão, originalmente datada de cerca de 1720. A obra utilizou materiais originais guardados por seu avô desde 1958, como batentes de madeira e folhas de janelas coloniais, além de tábuas de Pinho de Riga com mais de 300 anos, doadas pela Igreja de Nossa Senhora da Glória. A especialista diferenciou o restauro rigoroso da revitalização: enquanto o primeiro exige fidelidade absoluta aos materiais e métodos originais — como a taipa de pau a pique amarrada com cipó —, a revitalização permite adaptar o uso do imóvel para a vida contemporânea, garantindo que a estrutura não “padeça” por falta de uso. “O restauro tenho que fazer exatamente igual, o que é difícil hoje, porque não tem mão de obra. Quem é que hoje tem paciência para colocar pau, prender e amarrar com cipó no mês sem ‘R’ e na lua minguante?” — Regina Maia.
“Dói o coração [ver a cidade perdendo a identidade]. Fico desesperada, se tivesse preservado a nossa praça, seria como a de São Luiz do Paraitinga.” — Regina Maia, sobre a demolição de prédios históricos em Guaratinguetá. Para Regina Maia, o maior obstáculo à preservação é o alto custo e a falta de incentivos, citando que “uma casa que você não usa, ela padece”. Ela defende que revitalizar — mantendo fachadas originais, mas adaptando o interior para novos comércios ou serviços — é o caminho mais viável para evitar que a história de Guaratinguetá seja reduzida a escombros.
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