Por Guilherme Costa

O câncer de colo de útero permanece como um dos principais desafios da saúde pública no Brasil, sendo uma das patologias que mais vitimam mulheres. A doença não surge de forma espontânea; ela é o resultado de uma inflamação crônica causada pela infecção por alguns tipos do vírus HPV (Papilomavírus Humano). Embora existam mais de 200 tipos de HPV, a medicina foca naqueles com maior potencial oncogênico, combatendo-os por meio de vacinas tetravalentes e nonavalentes. No cenário brasileiro de 2025, a doença causou cerca de 20 óbitos diários, reforçando a urgência da conscientização e do diagnóstico precoce. Em entrevista, a Dr.ᵃ Maria Cláudia Guida Valmont, oncologista, destacou pontos cruciais sobre a prevenção e o tratamento:
Sobre a prevenção primária: “A vacina está indicada e disponível na rede pública, a partir dos nove anos, ela engloba os sorotipos mais importantes na prevenção do câncer”. Sobre o exame de Papanicolau: “Ele consiste na remoção de células do colo uterino, você consegue identificar alterações nessas células. Nos casos iniciais, [o câncer] é assintomático, por isso a importância do exame preventivo”.
Sobre a idade e o risco: “Ele é mais prevalente nas mulheres jovens, justamente as que estão com a vida sexual ativa. A retirada do útero (histerectomia) só está indicada como primeiro passo em casos muito iniciais”. A luta contra o câncer de colo de útero é, acima de tudo, uma luta pela informação e pelo acesso à saúde. Com a vacinação de meninos e meninas dos 9 aos 14 anos e a realização anual do exame preventivo por mulheres a partir dos 25 anos, a erradicação da doença torna-se um horizonte possível. Além disso, o cuidado com o estilo de vida — incluindo alimentação equilibrada e redução do consumo de álcool e tabaco — serve como barreira adicional não apenas contra o HPV, mas também contra outros males, como o câncer de mama.
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